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terça-feira, março 10, 2009

Bovespa segue euforia nos EUA e sobe mais de 5%

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bobespa) teve um pregão de euforia nesta terça-feira (10), seguindo os sinais positivos vindos de Wall Street com a perspectiva de recuperação do setor financeiro. O índice Ibovespa - principal referência do mercado brasileiro - rompeu uma sequência de três quedas consecutivas e teve elevação de 5,59%, para 38.794 pontos. Foi a maior alta do mercado desde 8 de dezembro de 2008.
Segundo o diretor de renda variável da FinaBank Corretora, Edson Marcellino, o bom humor do dia foi gerado pelo setor financeiro, que ganhou voto de confiança do investidor depois que o Citigroup disse que está operando no azul neste começo de ano. "Estamos apenas acompanhando a alta lá de fora" , resume.
O ponto de otimismo vem do setor financeiro dos Estados Unidos. O Citigroup anunciou em carta que está operando no azul durante os dois primeiros meses do ano.
De acordo com uma carta enviada aos funcionários pelo presidente da instituição, Vikram Pandit, o banco teve lucro de US$ 8,3 bilhões, descontados impostos e itens especiais até fevereiro. No entanto, as provisões para perdas com crédito e baixas contáveis podem diminuir ou até zerar os ganhos. Pandit não apresentou potenciais perdas com provisões.
O anúncio provocou uma forte alta nas bolsas dos EUA, que se espalharam pelo demais mercados. Ao final do dia, o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York teve alta de 5,80%, maior elevação desde novembro de 2008.
Na Europa, as bolsas também terminaram em alta, interrompendo uma série de perdas de três dias. O índice FTSEurofirst 300, referência das principais praças da região, subiu 5%, para 689 pontos, maior ganho percentual diário desde 8 de dezembro.

Mais medidas
Ainda no setor, reportagem do "Wall Street Journal" (WSJ) revela que o presidente do Bank of America, Ken Louis, anda dizendo que os problemas do banco não são tão graves quanto os do Citigroup. Tais notícias renovaram o ânimo dos investidores que estão menos avessos ao risco.
Mais cedo, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke, falou sobre reforma financeira e risco sistêmico. Em seu pronunciamento, ele pediu a continuidade de "medidas enérgicas" contra a crise atual, que chamou de "a pior crise financeira desde os anos 1930". A agenda do dia reserva ainda os estoques no atacado.

Pessimismo abafado
Ainda de acordo com Marcellino, a melhora de ânimo abafou a divulgação do Produto Interno Brasileiro (PIB), que encolheu 3,6% no quarto trimestre, contra o terceiro, superando as estimativas que apontavam para retração de 2,3%.
O especialista ressalta, no entanto, que o fraco desempenho da economia reforça a expectativa de redução na taxa de juros pelo Banco Central. Marcellino acredita em nova redução de 1 ponto percentual. "Um corte de 1,5 ponto ou 2 pontos, como se fala, seria uma mudança muito grande no modo de atuação do Banco Central".

No exterior
A Bolsa de Nova York se recuperou fortemente nesta terça-feira (10), ajudada pela disparada das ações de instituições financeiras depois dos comentários do banco Citigroup sobre a obtenção de lucro no início deste ano.
O índice-referência para Wall Street, o Dow Jones, teve a maior alta desde novembro de 2008. Todos os 30 papéis que compõem o indicador fecharam em alta, segundo informações de fechamento.
O Dow Jones teve alta de 5,8%, fechando aos 6.926 pontos, enquanto o indicador tecnológico Nasdaq ganhou 7,07%, terminando o dia aos 1.358 pontos. O índice Standard & Poor's 500, que reúne grandes empresas dos EUA, ganhou 6,37%, para 719 pontos.

Recuperação
Após uma queda de aproximadamente 20% do Dow Jones nas quatro últimas semanas, que o afundaram a ponto de atingir seu pior nível em 12 anos, o mercado ganhou um motivo para se recuperar, de acordo com Art Hogan, da consultoria Jefferies.
Em um documento interno, o Citigroup, que registrou em 2008 prejuízo de mais de US$ 18 bilhões, indicou ter voltado a lucrar no primeiro bimestre do ano. "Wall Street precisava de uma boa notícia, e o Citigroup proporcionou uma", destacou Joseph Hargett, da consultoria Schaeffer's Investment.
De acordo com uma carta enviada aos funcionários pelo presidente da instituição, Vikram Pandit, o banco teve lucro de US$ 8,3 bilhões, descontados impostos e itens especiais até fevereiro. No entanto, as provisões para perdas com crédito e baixas contáveis podem diminuir ou até zerar os ganhos. Pandit não apresentou potenciais perdas com provisões.

Mudanças contábeis
Os papéis de instituições financeiras aproveitaram o potencial reforço da regulamentação americana sobre as vendas a descoberto - que consistem em especular sobre a queda de uma ação -, além de botatos sobre uma eventual flexibilização das normas contábeis.
Comentários neste sentido foram feitos pelo influente presidente democrata do Comitê de Assuntos Bancários da Câmara dos Representantes americana, Barney Frank. "(A iniciativa pode reduzir a volatilidade dos mercados", comentou o analista Al Goldman, da Wachovia Securities.

(Com informações da France Presse e da Agência Estado)

2 comentários:

Ulisses disse...

E agora que o Mantega falou que será difícil atingir a meta de 4% do PIB em 2009 fiquei preocupado.

Lula é mais inteligente, não descarta nada enquanto não terminar o ano.

Humberto dos Santos disse...

A mentira sempre é descoberta.